10 de outubro de 2009

In vino veritas

Comamos e bebamos, porque amanhã morreremos.
- Isaías 22:13

Ok, eu sou um cara chato pra cacete. Eu sei disso. Rabugento e pessimista (Na verdade me considero apenas um realista. A realidade é que é péssima). Costumo reclamar de quase tudo e, onde muitas vezes se espera apenas aquela representação social fria e apática, eu tenho o péssimo hábito de expor o que realmente sinto.

Nossa Senhora das Uvas, Pierre Mignard Um dos locais onde costumo exercitar minha antipatia é nos corredores dos supermercados. Tenho verdadeira repulsa por fazer compras. Quando tenho que ir, costumo pôr fones nos ouvidos e escutar música bem alto, pra me isolar dos seres que me cercam. Poucas coisas me causam tanta ojeriza quanto aquele infeliz que deixa pra descobrir no caixa que não tem dinheiro suficiente pra comprar os itens que escolheu, e então fica naquela dúvida shakespeariana sobre o que deixar para trás: O desodorante rexona ou o pacote de bolacha maria? Eis a questão.

Contudo, não ignoro que tamanha repulsa é, na verdade, apenas um reflexo de como eu sou. O mundo é um espelho e o que eu vejo é tão somente a minha imagem refletida. Não quero aqui moralizar esse tema e entrar na seara de discutir se esse caminho que escolhi é bom ou ruim, certo ou errado. É assim que sou, e essa é uma outra história.

O que me chamou a atenção hoje, foi a capacidade que o álcool tem que alterar nossa percepção e, consequentemente, nos oferecer um mundo diferente. E isso definitivamente é bom.

Olha o moleque lá atrás entornando.

Explico:
Hoje de manhã eu fui à uma festa de inauguração, a convite de um amigo. Estava sendo servido um champanhe muito gostoso, bem doce e suave. Como a conversa estava boa, ficamos papeando e bebendo um bom tempo, até que o álcool subiu pra cabeça. Não a ponto de me deixar como o Jeremias (sipudesseumatarramil), mas o suficiente pra eu começar a ver tudo de forma um pouco diferente do normal. A antipatia foi, gole a gole, substituída pela indulgência.

Depois disso, e já alterado, eu me dirigi para o supermercado, pois tinha que fazer algumas compras e estava postergando a ida há vários dias. A geladeira estava completamente vazia.

E aqui chego onde queria chegar. Dizer que foi ótima a experiência de fazer compras levemente alcoolizado. As pessoas me pareceram mais humanas, mais educadas, mais simpáticas e mais agradáveis. Imagine você que eu cumprimentei um funcionário. E ele respondeu o cumprimento.

Aleluia! Agora entendo por qual motivo Jesus transformou água em vinho.
Eu brindo a isso.

Um comentário:

  1. É a famosa lição do Charlie Harper (two and a half man).

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